EDUARDO BOLSONARO, DEPUTADO CASSADO, ATUALMENTE RESIDE NOS ESTADOS UNIDOS.
Em 2018, foi reeleito deputado federal pelo Partido Social Liberal (PSL), com 1 843 735 votos, sendo o mais votado da história do Brasil. Em 2022, com 741.701 votos, foi reeleito mais uma vez deputado federal por São Paulo, desta vez sendo filiado ao Partido Liberal (PL).
A revelação de que os controladores do fundo Havengate abriram uma empresa em Delaware — estado norte-americano conhecido internacionalmente por oferecer mecanismos de blindagem patrimonial, sigilo societário e baixa transparência financeira — amplia as suspeitas sobre uma possível estrutura criada para afastar recursos da fiscalização brasileira.
Os responsáveis pelo fundo, o advogado Paulo Calixto, ligado à defesa de Eduardo Bolsonaro, e o corretor Altieris Santana, passaram a administrar a empresa MCC-4 Equity Fund GP LLC em fevereiro deste ano. A escolha de Delaware chama atenção justamente porque o estado permite ocultar informações sobre sócios, movimentações financeiras e beneficiários finais das operações.
O caso se torna ainda mais sensível porque o fundo Havengate recebeu R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro. Paralelamente, a Polícia Federal investiga se parte desses recursos pode ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside atualmente no Texas.
A estrutura montada pelos administradores reproduz um modelo frequentemente utilizado para dificultar rastreamento financeiro: uma empresa LLC em Delaware controlando outra empresa no Texas, ambas com nomes semelhantes e sem transparência sobre seus verdadeiros investidores. Embora esse tipo de mecanismo seja legal dentro da legislação norte-americana, críticos apontam que a utilização de paraísos fiscais por agentes politicamente expostos levanta questionamentos éticos e suspeitas sobre tentativa de blindagem patrimonial e ocultação de origem ou destino de recursos.
Os documentos revelam ainda que o endereço utilizado no Texas coincide com o escritório de Paulo Calixto, responsável também pelo registro do Havengate e de outras empresas ligadas ao grupo. Já em Delaware, a empresa aparece registrada por meio de uma companhia especializada em garantir “máxima proteção de privacidade”, reforçando a percepção de uma operação estruturada para limitar acesso público às informações.
As revelações também aprofundam o debate sobre a relação entre figuras do bolsonarismo e estruturas financeiras no exterior. Conversas divulgadas anteriormente mostram Flávio Bolsonaro negociando diretamente com Daniel Vorcaro os repasses milionários para o projeto audiovisual ligado ao ex-presidente.
Além disso, documentos apontam que Eduardo Bolsonaro já participou anteriormente de empresas LLC nos Estados Unidos, também conectadas a Paulo Calixto e Altieris Santana, envolvendo operações imobiliárias e holdings empresariais.
O episódio reforça críticas sobre o uso de estruturas offshore e empresas em paraísos fiscais por pessoas ligadas à política brasileira. Para especialistas em transparência financeira, mecanismos desse tipo podem dificultar o trabalho de órgãos de controle, reduzir rastreabilidade de recursos e criar barreiras para investigações envolvendo movimentações internacionais de dinheiro.
Embora não exista até o momento condenação judicial relacionada às operações citadas, o caso amplia a pressão por maior fiscalização sobre recursos movimentados no exterior por agentes públicos, empresários e grupos politicamente conectados.
Com Folhapress e ICL Notícias


